sábado, 31 de outubro de 2015

O dia em que fui à Madeira e voltei no espaço de 3 horas (ou de como há uma primeira vez para tudo)

Tínhamos viagem marcada para ir de fim-de-semana à Madeira. O meu pai, que andou fora em trabalho, também regressava ontem de Londres para a Madeira. Era suposto ele ter chegado uma hora antes do nosso voo levantar. Desliguei o telemóvel para fazer a minha viagem, ainda sem notícias dele. Já no avião, o piloto deu-nos as boas vindas e disse logo que os ventos na Madeira estavam muito fortes. Ah, que coisa boa de se ouvir quando se está dentro dum avião!
Uma hora e pouco de voo depois, praticamente sem termos passado por nenhuma turbulência, fala-nos outra vez o comandante para dizer que os ventos na Madeira estavam acima do permitido para aterrarmos, pelo que íamos andar às voltas durante pouco mais de 30 minutos (que era a gasolina que o avião tinha disponível para ficar a aguardar) e, caso o cenário não melhorasse, voltaríamos para Lisboa. A rapariga que estava ao meu lado, sozinha e provavelmente estudante, ficou com um ar desesperado (eu sempre tinha a companhia do senhor meu namorado, que é tão, mas tão calmo em qualquer situação que chega a enervar. quanta insensibilidade, credo! ainda se deu ao luxo de gozar comigo e tudo, mas adiante). Fiz uma festa no braço da miúda e disse-lhe que ia correr tudo bem. Daí a poucos minutos acobardei-me e ainda soltei umas lágrimas (mas tudo muito discreto, acho que ninguém reparou). Porque naquele momento havia dois cenários possíveis: ou regressava a Lisboa e deixava a minha mãe e os meus avós desolados (são quem não está comigo há mais tempo, três meses), ou íamos ter uma aterragem infernal, e eu ia ficar com um trauma para a vida (e eu, enquanto ilhéu (ilhoa...? credo, palavra feia!), não me posso dar ao "luxo" de ganhar um trauma em relação a viagens de avião). Enquanto isto, continuávamos sem ver nada pela janela (só vimos mesmo terra ao longe, por duas vezes), e sem turbulência nenhuma (já tive muitas viagens bem piores em termos de turbulência). Passados uns 50 minutos, o capitão voltou a falar, para dizer que estávamos a voltar para Lisboa, e que ninguém ia aterrar na Madeira naquela noite. 


Não posso dizer que não senti um alívio enorme. Não estava preparada para tentativas falhadas (e traumatizantes) de aterragem. Já só pensava no meu pai (se tinha aterrado, se não, se tinha corrido tudo bem) e na minha mãe (se tinha ido esperar por nós para o aeroporto, coitadinha). A tripulação foi sempre impecável (retirando o facto de não nos terem dado nada para comer, mas pronto, numa companhia low cost não se podia contar com muito nesse aspeto).
Chegados a Lisboa, ainda dei um abraço no meu pai (que também não conseguiu aterrar na Madeira), e foi-nos dada a opção de ir para a Madeira hoje à hora de almoço (e de dormir num hotel, para quem quisesse/precisasse). Na falta de alternativa aparente (disseram-nos, quando aterrámos, que podíamos adiar a viagem sem custos, mas na internet só nos aparecia essa opção com custos (elevadíssimos) associados, e o centro de atendimento telefónico só funciona durante a semana. tão útil nestes casos), ainda fomos outra vez para o aeroporto hoje, preparados para embarcar. 
Estávamos à espera de encontrar um caos no Terminal 2, mas, incrivelmente, o balcão de apoio ao cliente da Easyjet estava vazio. Fomos lá tentar a nossa sorte e conseguimos o que queríamos: mudaram-nos a viagem para o próximo fim-de-semana (sem cobrar nada). Toca de dar mais um abracinho ao senhor meu pai (que acabou de chegar à Madeira, depois de ter saído de Londres ontem às 14h, coitadinho) e voltar para casa, esperando que na próxima sexta-feira o senhor S. Pedro seja nosso amigo e me deixei ir matar as saudades todas sem me deixar com traumas.

3 comentários:

  1. Oh, que azar :/ mas pronto, no próximo fim-de-semana já matas as saudades :D

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  2. Bem que aventura! Boa sorte para a semana! Que corra tudo bem.

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  3. Bem que stress!
    Mas para a próxima é que vai ser vais ver =)

    Beijocas

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